A Gruta do Lou

Prêmio pela paz

Não sei se já aconteceu, mas minha sugestão seria o pessoal encarregado em nomear os ganhadores do Prêmio Nobel da Paz, instituído em homenagem a um cara nada pacífico, agraciar a Jesus com um prêmio póstumo por sua real militância em favor da paz. Sem enviar um único soldado ao Afeganistão ou ao Iraque, o mestre de Nazaré fez mais pela paz do mundo, em especial entre os povos do médio oriente, que todos os caras que já abocanharam seu cheque nobelístico e, certamente, todos os outros que ainda virão.

Os únicos soldados enviados por Jesus foram doze ex-pescadores, que recém haviam deixado as redes, com a missão de sair por aí curando enfermos, expulsando demônios e todo tipo de práticas de natureza pentecostal. Já o atual presidente dos Estados Unidos, ainda cheirando a fraldas governamentais, sem um único ato pacífico anotado, passou por Oslo para pegar o Nobelzinho da Paz dele. Aproveitou para lembrar a todos que paz se faz com guerra. Para exemplificar seu ponto, informou aos presentes que recém enviara ao Afeganistão mais trinta mil homens, para serem somados aos outros milhares já em solo afegão e promover a maior matança da história. Estranha a noção de paz de Mr. President. Enfim, o cheque já está na conta dele.

Não diria que o presidente norte americano deveria enviar milhares soldados ao Afeganistão, ou a qualquer lugar do inferno com propósitos heréticos como o realizou Jesus, também no Oriente Médio. Mas, se ele enviasse um terço apenas com propósitos pacíficos à moda antiga, ou seja, para socorrer aflitos famintos, adoentados e vítimas de toda a sorte de sofrimentos, entre os povos que falam árabe e hebraico, talvez ele conseguisse algum merecimento capaz de outorgar-lhe aquele outro prêmio, o tal galardão celestial. Certamente ficaria sem o Nobel, nesse caso. Em Oslo, a noção de paz é, no mínimo, exótica.

A igreja não tem feito melhor. Faz tempo que não são enviados missionários com propósitos, não como os do Rick (melhor amigo do senhor presidente dos Estados Unidos), mas os de Cristo. Muitos como eu, voluntariamente resolveram abandonar as trincheiras rasas eclesiológicas. Mas quantos de nós estão engajados no cumprimento da Missão Cristã que acusamos a Igreja de haver abandonado? Mesmo porque, uma vez dissidentes, fomos banidos e tivemos nossos direitos missionários cassados.

Caso houvesse algum defeito nos computadores de Oslo e eu viesse a ser escolhido para algum daqueles prêmios nada desprezíveis (pelo valor monetário), trataria de discursar em favor da paz, propondo usar muita violência e matança incomensurável, para conquistar a paz. Nada daquelas insanidades do Mestre ou de seus imitadores mais conhecidos, como Gandhi, Luther King e Madre Tereza. Se fosse algum prêmio relacionado à área da ciência ,a melhor opção, segundo os padrões norte americanos, seria propor liquidar os probleminhas ecológicos, que parece estarmos atravessando, convencendo os países emergentes a não utilizar seus recursos naturais, a fim de preservar o planeta e manter a economia gringa razoavelmente estável. Mesmo que para isso fosse necessário invadi-los com as forças desproporcionais dos exércitos da OTAN ou da ONU, só para manter a paz, claro.

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