A Gruta do Lou

João de Deus

121718_1956_JoodeDeus1 João de Deus

João de Deus

Quando cheguei na Missão Portas Abertas e fui convencido a ser o cara da captação de recursos, no princípio fiquei meio perdido. Pessoal existente nessa época, enviava cartas mensais solicitando doações. Nos dois primeiros meses fiz a mesma coisa. A Missão possuía cerca de cinco mil nomes e endereços, naquela época.

O resultado dessas postagens era algo em torno de cinquenta doações, para cada pescaria, até então. Um detalhe me chamou à atenção, tanto nas duas vezes de envio de cartas sob minha administração, como nas anteriores, um doador esteve presente, sempre. O nome dele era João de Deus.

Implementei, desde o início, o envio de cartas de agradecimento para todos os contribuintes. Mas confesso, a carta de Deus era mais caprichada. Entretanto, isso não causou nenhuma atitude diferente da parte do João.

Aos poucos, através de estudos a respeito da arte de captar recursos, sob a mentoria do falecido Dr. Dale W. Kietzman, fui apurando meus métodos. Primeiro vieram as bases bíblicas, depois objetivos, os métodos e os recursos. Ele me levou a vários estudos de casos, em diversos setores da filantropia cristã nos Estados Unidos.

Fomos aumentando nossos resultados e, após três anos de trabalho, estávamos com 1.500 doadores/mês, sempre com a presença infalível do João de Deus e suas doações, a cada pescaria. Conversei com o João algumas vezes, através de cartas depois e fiquei sabendo que ele cuidava de crianças órfãs ou abandonadas, em Minas Gerais. Ele solicitou orações para o bem das crianças, nessas oportunidades. Infelizmente, nunca visitei o trabalho de João de Deus, embora desejasse.

A minha demissão chegou primeiro. Pessoal da Missão nunca me deu um motivo crível para minha saída, portanto, fiquei com a impressão deles terem desgostado da minha performance.

Saí da Missão, mas o trabalho continuou e os números continuaram crescendo, enquanto fizeram o trabalho direito. Um dia perguntei ao pessoal da Missão se o João continuava ajudando o trabalho e não souberam me responder.

Não me lembro de onde veio a notícia, dando conta dele e suas crianças terem mudado para o interior de Minas Gerais, pois o trabalho dele estava sucumbindo em meio a burocracia, sempre aumentando e inviabilizando um trabalho melhor para as crianças.

João de Deus era mais velho que eu e não sei se ainda está vivo. Espero que sim. Esse era um João de Deus, de fato.

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