A Gruta do Lou

Meu legado

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No interior de Moçambique – África

Meu legado começou a ser delineado, desde o domingo retrasado, quando o Alex Dias Ribeiro confessou na igreja, durante sua mensagem, estar na hora de entregar seu legado, confesso ter sido impactado. Nunca pensei nessa possibilidade, ou seja, o Alex como mensageiro de Deus para mim. Certamente ele é um servo do Senhor desde sempre. Foi na Igreja Cristo Salva (Jesus Save) onde me converti e só aceitei ir conhecer o local por causa do detalhe Alex. Eu era fanático por Fórmula I, embora o Alex não fosse campeão como Fittipaldi, Piquet e Senna, ele vivia lá, naquela época e trabalhava em favor do evangelho, já que não tinha carro top.

Devo ter visto o Alex na Igreja Cristo Salva uma ou duas vezes e de longe. Mas depois, alguns anos, já fora da Fórmula I, encontrei o Alex na Germine, uma organização concebida pelo amigo irmão Volney A. Faustini e quem me convidou a participar do projeto Força para Viver. A Germine se propunha ser uma chocadeira de projetos e o Alex estava lá “chocando” a Missão Atletas de Cristo. Aí, nos encontrávamos no dia a dia e conversávamos às vezes, geralmente na sala do Volney, onde eu trabalhava.

Depois dessa época, estivemos em alguns eventos ao mesmo tempo, mas sem maiores conversas, até chegar o domingo retrasado quando Deus resolveu usá-lo para me dar o recado, embora ele tenha falado sobre o legado “dele”, sem se dar conta da carona forçada através dele.

Essa hora das nossas vidas não é nada fácil. O Alex está escrevendo livros sobre Fórmula Um e vida cristã, sobretudo, sobre o trabalho junto aos atletas brasileiros Olímpicos, futebolistas, etc., enquanto divulga seu material e vai alavancando algum pro leitinho dos netinhos (isso é por minha conta), mas dou maior força para ele nesse detalhe.

Quanto a mim, o caminho foi outro. Primeiro me tornei professor de Educação Física. Não ria, por favor, hoje temos um presidente Professor de Educação Física e o povo brasileiro está pondo a maior esperança já vista no Brasil em um cara com essa formação tão desrespeitada no pedaço. Depois de ter sido diretor de duas creches diretas da Prefeitura Municipal de São Paulo, psicólogos, pedagogos, enfermeiras, nutricionistas, assistentes sociais e outras humanistas lideraram um movimento com a finalidade de impedir Professores de Educação Física dirigindo creches, como se fossemos uns beócios.

Tenho certeza de ter feito um bom trabalho nas creches, mas tinha contra mim o fato de ser homem em um lugar (as famosas Fabes) onde havia enorme e insustentável preconceito contra os indivíduos machos. Além disso, eu não era comunista e isso era um pré-requisito secreto, mas ninguém me avisou do detalhe. Para completar, era professor de Educação Física.

Essa passagem na direção de creches diretas da PMSP aconteceu na década de oitenta, a partir de 1983. Primeiro fui trabalhar na Secretaria Municipal de Esportes, lá no Ibirapuera, em frente ao hospital do servidor público do estado.

Antes disso, na década de setenta, trabalhei duro em escolas particulares, dando aulas de Educação Física para quem? Sim, justamente para crianças da chamada pré-escola de 3 a 6 anos, a mesma faixa de idade das creches (algumas são de 0 a 6). Em todas as escolas (umas quatro) fui muito bem com trabalhos muito elogiados.

Para tanto e apesar da preparação na Faculdade de Educação Física (psicologia, pedagogia, didática de ensino, etc.), essas escolas me agregaram muito conhecimento para somar à minha especialidade com destaque para os ícones do construtivismo tais como Piaget, Maria Montessori, etc.

Obviamente, quando cheguei às creches estava teórica e praticamente pronto para dirigi-las. Detalhe, antes de me formar em Educação Física, passei por uma faculdade de Administração de Empresas. Dificilmente minhas colegas diretoras eram melhor preparadas do que eu, tanto é que, liderei e fui porta-voz de todos, sem ser o único, claro.

O barato é pensar, afinal, no fato do trabalho principal com as crianças de creche ser eminentemente de cuidar do desenvolvimento físico, motor e cognitivo. Sem antes cuidar da vida delas. Afinal, quem estava mais preparado?

Entre a saída da secretaria de esportes para a Fabes, comecei a trabalhar na Missão Portas Abertas. De 1977 a 1983, estudei teologia, mais para meu próprio interesse, embora meus colegas de seminário pretendiam o episcopado, na sua maioria.

Em 1979, fiz parte de uma missão cujo objetivo era pesquisar a situação religiosa na Albânia, na época, esse país se autoproclamara um país ateísta. Casara em 1978 e quando fiz parte dessa missão, minha esposa estava grávida e não pode me acompanhar e isso nos afastou por dois meses. Voltei quinze dias antes do nascimento de nossa filha, a nossa primogênita.

Essa viagem à Albânia me alavancou para o trabalho na Missão Portas Abertas. Mas, além da experiência com aquela missão na Albânia marxista-leninista, fui convidado a cuidar da área de marketing (conhecida como desenvolvimento, por lá), embora não tivesse nenhum preparo para tanto.

O Dr. Dale D. Kietzman, vice-presidente da Portas Abertas dedicado ao desenvolvimento na missão foi quem me convidou para trabalhar lá e se incumbiu de me dar o treinamento necessário para o trabalho à minha frente.

Desenvolvimento incluía Comunicação e Levantamento de Fundos (hoje conhecido como Captação de Recursos), com vantagem de ser uma preparação dedicada à área religiosa, no caso, cristã. Reputo essa preparação ao nível de um mestrado.

Até hoje, não existe um curso como esse nas escolas teológicas e nas especializadas na área específica. Morro de rir quando vejo os professores e os programas das poucas escolas tentando dar alguma coisa nessa área, mas são risíveis, infelizmente. Salvo engano, claro.

Depois de sair da Portas Abertas, por alguma razão por desconhecida, não fui convidado a trabalhar em nenhuma outra organização similar. Lembro do Pr. Jonathan dos Santos conversando comigo e me dizendo “time que está ganhando não se mexe”.

Entretanto, ele e organização criada por ele, Barbara Burns, Pr. Décio e outros, passaram por graves problemas financeiros. Muito embora, ele tenha conseguido erigir a pirâmide dele lá no Vale da Benção em Araçariguama, São Paulo. Talvez eu pudesse ter ajudado um pouco amenizando as dificuldades, mas nunca aconteceu.

Passei por mais algumas, mas sempre por imposição minha, me sujeitando a trabalhar sem carteira assinada e sem direito a salário e benefícios, como foi no Exército de Salvação, Vencedores por Cristo e outras menores.

Só a Igreja Maná me contratou com carteira assinada, salário e pouca coisa em termos de benefícios, mas para trabalhar em TI. No meio de tudo isso, acabei me tornando um bom técnico em informática, não só para consertar computadores, mas para usá-los no controle e administração das organizações.

Nunca entendi porque nunca me convidaram para as festas de aniversário dessas organizações. Outro dia mesmo, teve a festa dos Vencedores e meu convite não chegou. Isso me faz pensar como os correios prestam um péssimo serviço.

Nem arriscarei alguma sugestão sobre as razões de não ter tido maiores oportunidades. O fato é, sem exceção, sai de todas essas organizações sem motivos aparentes.

Na Portas Abertas, por exemplo, fui convidado a me retirar, em reunião com a presença do Dr. Dale W. Kietzman, meu mentor, por diferenças em relação ao tal do Roberto Jakob, o secretário executivo, uma graça de pessoa, mas não tinha o menor cacoete para administrar e pior, era casado com um psicóloga.

Nesse caso, entendi a razão, mas não acreditei. Se esse era o caso, deviam ter preterido o Roberto e não eu, a meu ver. O Dale ainda teve o desplante de me dizer: você vai sair daqui e arrumar emprego logo, enquanto o Roberto, se sair daqui, não arrumará trabalho muito facilmente”. Um atestado do que estou dizendo, né?

Enfim o DaleW. Kietzman foi meu amigo até poucos dias antes de morrer, em 2015, quando me enviou o último E-mail oferecendo todo o material dele relacionado a Desenvolvimento, mas não conseguiu enviar nada, provavelmente pelo estado da saúde dele. Não sei se chegou a informar a família desse detalhe, ou foi os correios, de novo.

Durante mais de quarenta e dois anos, em meio a tudo isso referido acima, tive a oportunidade de dedicar-me ao cristianismo (sem uma bandeira específica, pois estive com pessoal pentecostal, batistas, presbiterianos, metodistas, etc.) mais especificamente na área da espiritualidade.

A isso, concorreram com grande ajuda o Dr. Zenon Lotufo Jr., nos conteúdos práticos e o Dr. Russell P. Shedd na área de Teologia do Novo Testamento e alguns outros professores de outras áreas, como o Prof. Carlos Lachler. Também contribuíram a Dra. Louise Mchiney e John Stott (que nos deu aulas durante uma semana com os temas: Pregação Expositiva e Evangelização). Esses senhores e senhoras esbanjaram espiritualidade em meio aos seus trabalhos.

Enfim, cheguei ao tempo de legar, com recado de Deus via Alex. Professor com razoável didática nos seminários, escolas teológicas, escolas fundamentais e creches, por onde passei. Me tornei um excelente conhecedor do Desenvolvimento (Comunicação e Captação de Recursos) e, finalmente, um relativo bom Técnico em Informática.

Acho que vou legar alguma coisa escrita no formato livro, se Deus me der tempo para tanto, nessas áreas. Tentarei um ou outro curso via Internet e me disporei a fazer palestras por aí, talvez em escolas teológicas, igrejas e quem mais desejar, embora não me animo muito em nada disso.

Ficaria encantado em trabalhar em alguma organização cristã treinando futuros profissionais do desenvolvimento, com ênfase em captação de recursos, por pelo menos um salário mínimo para juntar ao meu benefício ao idoso (também no valor de um salário mínimo) e poder pagar o nosso novo aluguel, a partir de janeiro próximo.

Se quiserem me oferecer dois salários mínimos, ao invés de um, seria melhor ainda, pois assim, poderíamos comer alguma coisa de vez em quando, pagar a luz e gás, enfim essas insignificâncias.

Imagino, com isso, retribuir com um legado nada mal e sei o quanto de jovens bem-intencionados poderiam sorver tudo isso e fazer belos trabalhos por aí. Enquanto isso estaremos melhorando muito o trabalho das organizações e estou certo disso.

Fiquem todos em paz!

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