A Gruta do Lou

Pacificar, o sonho de Deus

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“O sonho de Deus para nós não é a simples paz de espírito, mas a paz na Terra”.

Marcus J. Borg, em O Primeiro Natal

Escrevi sobre essa parte do plano de Deus para os cristãos, várias vezes para o pessoal leitor da Gruta. Creio que o Borg matou a pau quando cunhou a frase acima. Andamos para lá e para cá em nossas vidas, sempre buscando felicidade. É até engraçado isso. Se há uma fórmula clara e direta, sem enigmas ou parábolas, sem dúvida é a receita para a felicidade nessa vida. Ela está logo no início dos evangelhos, ali em Mateus no capítulo cinco e depois é repetida no evangelho de Lucas, nas chamadas bem-aventuranças.

Bem-aventurado quem as lê e aplica essas instruções em sua vida. Só para sua informação, bem-aventurança é felicidade, nesse caso. Agora pergunto: Existirá algo melhor do que ser feliz pacificando o mundo, enquanto pacifica a si mesmo e, de quebra, ser chamado de filho de Deus; ou matando a fome de justiça e sendo justo com todos; chorando com os que choram e consolando-os; anunciando aos pobres de espírito que deles é o Reino de Deus; levando as pessoas a optar pela mansidão e a maravilhosa notícia que eles herdarão a terra; que os misericordiosos alcançarão misericórdia; e que os limpos de coração alcançarão a Deus.

Mas o plano de Deus, se não me engano, seria muito mais ambicioso, ou seja, Ele pretende ver os cristãos cumprindo a missão de pacificar toda a terra, então virá o fim.

Há muitos teólogos que pretendem acabar com o mundo através de uma guerra sem precedentes, a qual denominam equivocadamente de Armagedom. Haverá sim o Armagedom, mas não será uma luta de MMA, box, judô ou jiu-jítsu, de Deus, muito menos um embate de forças armadas até os dentes e/ou os cristãos contra os governantes malévolos da Terra. Sinto decepcionar todos os que têm fome e sede de vingança, violência e sangue, mas Deus pretende, mesmo, derrotar a todos com seus exércitos de pacificadores, quando seus exércitos forem constituídos de homens e mulheres mansos e humildes de coração e imbuídos da missão de pacificar todo o mundo. Só isso.

Por enquanto soa como uma utopia, mas não desanime, é assim faz tempo. O problema é que Deus tem paciência infinitamente maior do que a de Jó. Enquanto não conseguirmos pacificar a nós mesmos, não pacificaremos os outros e muito menos o resto dos habitantes da terra. Então estaremos tão distantes do fim do mundo quanto o oriente do universo dista do seu ocidente.

Cada vez que os muçulmanos matam um punhado de cristãos ou vice versa, ou os Tutsis aos Utus, ou a Vale do Rio Doce aos habitantes de Mariana os arautos de um apocalipse sangrento logo se assanham. Isso não faz sentido quando quem tem a última palavra é o próprio criador do universo, nós inclusos, que não o fez para cultivar a violência, mas a paz.

Não sei quando acontecerá ou em qual geração. Na nossa acho muito difícil e nem na dos meus netos que nem nasceram ainda. Aliás, se o problema fosse para ser resolvido na base em que os teólogos do fogo imaginam, já poderia ter acontecido. Não, não será assim.

Eu daria tudo para estar presente e participar desse tempo.

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