A Gruta do Lou

Que falta faz um bom missionário!

040715_1704_Quefaltafaz1 Que falta faz um bom missionário!

Dia desses, fui ao banco e, para minha surpresa, fui atendido pela gerente, finalmente. Mulher tem poder e é dificílimo conseguir alguns minutos para falar dos meus muitos milhões depositados ali. Conversa vai, conversa vem, ela sem pressa nenhuma e eu meio espantado meio sem graça, me perguntou qual era a minha ocupação. Pergunta difícil essa, para mim. Pensei em consultor, mas um amigo advogado acabara de me aconselhar a não dizer essa palavra a ninguém, muito menos a gerentes de bancos, juízes e policiais. Então me ocorreu minha mais nova aposta de trabalh0 (só faz uns trinta anos que faço isso), só que agora estou imaginando ganhar alguma coisa concreta com isso, mas continuei com medo em declarar essa atividade, também. Me tocando que a moça continuava ali, aguardando minha resposta, pacientemente, resolvi poupá-la e mandei: Missionário.

Até eu me surpreendi com aquela declaração, saiu quase involuntariamente. Enfim, já estava declarado e agora só me restava aguentar as consequências. Mas a jovem gerente estava disposta a conversar e não demonstrava nenhuma pressa, para piorar mais aquele meu ato falho ou algum problema de comunicação com meu computador central. Então ela mandou outra pergunta inconveniente: E que faz um missionário?

Ave M… digo Jesus, salva-me agora. Como responder essa sem mentir, enganar, fraudar, tapear, etc.? Afinal, missionários não mentem (sic). Veio a minha mente, como se alguém tivesse assumido o controle dela, temporariamente, algo assim: Ah, missionários cuidam de viúvas idosas que não têm quem cuide delas, dos órfãos, enfermos, famintos, abandonados, sem esquecer sua missão principal, ou seja: pregar as boas novas aos pobres de espírito e proclamar liberdade aos presos, a recuperar a visão dos cegos, libertar os oprimidos e proclamar o ano da graça do Senhor. Naquele momento, consegui quebrar um pouco o conforto dela. Minha resposta havia causado algum assombro nela.

Recuperando-se rapidamente do pequeno assombro, fez mais uma pergunta: E onde o senhor faz isso ou em qual organização? Outra pergunta difícil, danada. Então me ocorreu citar o Projeto Coração Valente. Era a minha única verdade a respeito, se bem que não passe de um site de informações, por falta de recursos, no momento.

Pediu algumas informações sobre o Projeto e eu fiz um breve resumo para ela. Então, graças a Deus, ela se deu por satisfeita.

O problema maior começou quando sai dali. Não consegui mais parar de pensar no que havia declarado à aquela mulher. Sou um Missionário! Caspite! E o que estou fazendo com isso? Jesus enviou seus discípulos como missionários lhes dizendo dando orientações bem específicas (veja em Mateus cap. 10: 5 – 20). Hoje em dia, não vemos mais missionários cumprindo suas missões sob essas perspectivas, muito menos eu. Jesus era mesmo um cara muito bem humorado, ressuscitar mortos, curar enfermos, só podia estar brincando. Confesso viver me perguntando: E se Ele estiver falando sério? Não consegui curar meu próprio filho e muito menos ressuscitá-lo, aliás nem lembrei disso naquela hora. Nesse caso, teria desapontado a Deus, ao meu filho e a mim mesmo, fora o tantos outros importantes para mim. Que falta faz um bom missionário!

Enfim, agora a Inês é morta. Até ela se foi sem qualquer socorro missionário. Resta-nos sair por aí em busca daqueles necessitados que ainda não pereceram, se ainda houver um mínimo de vergonha na minha cara. O problema é que minhas próprias necessidades me consomem e o Senhor orienta: “o trabalhador é digno de seu sustento”.

Haja fé para enfrentar o que me foi designado. É fazer ou morrer. A outra opção é não fazer e, igualmente, morrer.

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