A Gruta do Lou

Gerente de mim

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Estamos devagar, nem as luzinhas da janela da sala foram colocadas este ano. O Thomas queria uma árvore de natal, das verdadeiras, mas não fui procurar, pois me disseram estar pela hora da morte. Por aqui não há onde roubá-las e, sem carro, não tenho como ir buscar onde elas estão.

Pelo jeito, não teremos visitas surpresa de familiares ou amigos, este ano. No passado, apareciam pessoas fazendo às vezes de Papai Noel, geralmente com os apetrechos da ceia. Os caras caprichavam. Em Sorocaba ficamos distantes desses benfeitores natalinos.

De outro lado, nossas incursões na pele do bom velhinho, em benefício dos menos favorecidos, também deixaram de ser. O velho bonitinho com sua roupa vermelha terá muito trabalho na América do Norte e não virá por essas bandas.

Essa coisa sacana dos cristãos de terem metido Jesus nessa história é perversa. Meu irmão nazareno jamais compactuaria com algo assim. Festa que ele patrocinava, todos participavam.

Diferente dos anos anteriores, este ano arriscaria pedir um presente de natal. Claro que minhas maiores alegrias para o ano iniciante têm a ver com a felicidade dos meus filhos e de minha esposa. Mas meu pedido pessoal, muito simples, ao homem das renas, seria recuperar a mim mesmo.

Isso mesmo, desejo recuperar o comando de minha vida. Não ser mais um dado do jogo perverso desse universo, ou como diria o Robert Kiyosaki, sair da corrida dos ratos e das mãos dos manipuladores de plantão.

Quero voltar a ser dono do meu próprio nariz, se algum dia o tenha sido. Se fui, não me lembro. Imagino contribuir para tanto avaliando cada decisão e evitando cem por cento as situações onde o controle não esteja totalmente nas minhas belas mãos.

Tenho muitas amarras à minha volta permitindo a outrem invadir minha vida, sem a menor cerimônia, a me cobrar, exigir, gritar, etc. Começarei por aí, cortarei esses vínculos e não voltarei a eles. Meu ego está com os dias contados, também. Ele e todas as suas criações, esse blog incluso, os outros também.

Daqui para frente meu blog será a areia da praia, bem perto do mar. Escreverei e ficarei assistindo a dança das águas levando minhas palavras ridículas oceano adentro. Para isso preciso aproximar-me da praia, outra vez.

Gostaria de ver meus queridos libertos dessas amarras mundanas, tipo natal e seus similares, igualmente. Viveríamos muito melhor se, todas as noites, sentássemos ao redor de nossa mesa e ceássemos como se fosse a ceia de natal, com muita comida, bom vinho e conversa franca e divertida.

Não será fácil suportar os próximos dias. As pessoas deveriam evitar festejar em respeito aos que não podem fazê-lo, seja no natal ou em qualquer outra época. Esse é meu último texto triste, este ano. Prometo. Daqui para frente, só bobagens alegres. Pelo menos sentirei alguma sensação de não estar jogando sal na ferida alheia.

 

Feliz Natal a todos vocês, leitores da Gruta.

 

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Comentários

  1. Querido Lou !!

    Ainda que seus textos possam ser tristes, picantes, irônicos ou alegres, eles sempre são de uma inteligência admirável !… e esse tempo em que estou a trabalhar tanto (graças a Deus que consegui… na minha idade já não é tão simples) e não consigo acessá-lo com a freqüência que gostaria, sei que eles (os textos que tu escreves) me fazem muita falta em seus ensinamentos e reflexões…Te digo ainda, e que com ousadia, que tu és dos poucos que escrevem realmente com a alma rasgada e o coração sincero, e isso em tempos de tanta hipocrisia é muito mais que privilégio, é benção de Deus.

    Que venha 2.009 ! e com ele boas novas para todos nós !!

    um super abraço capricorniano pra vc !!…rsrsss

    Tenho aprendido muito com meus mestres (Ed, Gondim e Ari), afinal coração sincero é com eles mesmos. Às vezes sinto vergonha diante deles. Deve ser por isso que Deus os abençoa tanto e a mim nada.
    Feliz 2009 para vocês também. Retribuo o abraço capricorniano, afinal não tenho como esconder esse fato. 🙂

  2. Visualizo um Lou Wireless, vagando pela costa brasileira, oferecendo serviços de lan house, (ou lan beach?) ao vagabundos,juntamente com água de coco geladinha, olha que idéia legal, vamos desenvolver?

    Tudo que eu não quero fazer é me enrolar com esses serviços. Com direito adquirido à aposentadoria, mas sem ter quem me coloque no poço quando as águas são revolvidas. Meu alvo é ser livre. Lembra daquele senhor que andou por aí, dois mil anos atrás, dizendo: Conhecereis a verdade e sereis verdadeiramente livres. Só isso.

  3. Lou, espero que você encontre esse nariz que estás falando. Não acredito que seja o seu, mas o do Lou idealizador, daquele que ainda virá conforme sua concepção, por que para muitos o Lou idealizador já chegou!(Tu estás pronto e queres inventar).
    Acredito que tu seja um tipo de João Batista do século recente e se tu parar de escrever a verdade irão cortar sua cabeça e não voltarão mais na gruta.
    Se tenho um gostinho de esperança, uma experiência eclesiástica e um pouco das verdades da vida,são graças as experiências que tenho passado e aos textos que tenho lido na gruta(Gruta tem sido a Igreja de muitos).
    Tu não escreve textos tristes, mas difíceis verdades que quando compreendidas se tornam ferramentas da felicidade!

    Fique tranqüilo, o Lou idealizador não é confiável. Se não fosse eu, ele continuaria sendo um mero desconhecido, vivendo de suas lembranças feito um argentino e seu tango. Continuaremos com ele ou sem ele, acredite.

  4. Por que será que sempre achamos, imaginamos a vida do outro mais
    suportável?
    Ontem, achei o Natal no olhar de uma mãe em Darfur…

    Somos assim mesmo, um pouco masoquistas e auto flageladores.

  5. Luiz Henrique da glória, esta é especialmente pra você.)

    Pois é, pense como quiser, mas se comporte como os outros. Não é fácil, principalmente, depois de viciados em agir segundo nossos próprios pensamentos. Mas ainda conseguirei decorar os 48 artigos e serei um cara mais feliz.

  6. Olá Lou,pelo tom de tristeza de seu texto você decidiu por a figura de alguém que viveu de maneira muito triste,Vincent Van Gogh.Esse gênio,veio trazer depois de sua morte, alegria aos olhos do mundo,apesar de muitos de seus quadros serem tristes como ele foi.A tristeza dele,como você sabe,existia pelo fato da doença grave que consumia sua mente.Mas no meio da tristeza aguda(depressão),que o levou a se matar,ele nos deixou tanta coisa bela.E que nós como “cristãos”,como você mesmo disse,tenhamos um mínimo de consciência,sabendo que muitos no mundo não têm o que comer em dia algum!Isso é um “quadro”,muito triste que com boa vontade poderíamos minimizar a exemplo de Van Gohg,levando um pouco de alegria aos deserdados da terra.

    É se o pessoal se tocar, já teremos ganho o dia. Sem dúvida.