A Gruta do Lou

Humanismo existencial

 

091913_1933_Humanismoex12-580x402 Humanismo existencialJ.P. Sartre


 

“O existencialismo é um humanismo” é um texto escrito por Jean Paul Sartre  em forma de ensaio no ano de 1946, visando esclarecer o pensamento existencialista e principalmente defende-lo de uma série de críticas.

Nele, Sartre começa relatando as críticas dos comunistas, acusando o existencialismo de incitar as pessoas a permanecerem no imobilismo do desespero; de ser uma filosofia contemplativa, e isso, necessariamente, o reconduziria a uma filosofia burguesa, de enfatizar a ignomínia (vergonha) humana e de negar a solidariedade humana.  Sartre ainda dá destaque às criticas cristãs, acusando-os de negar a realidade e seriedade dos empreendimentos humanos, pois suprindo os mandamentos de Deus e os valores inscritos na eternidade, restaria apenas a pura gratuidade; cada qual poderia então fazer o que quisesse, sendo impossível a partir do seu ponto vista condenar os pontos de vistas alheios tal quais os seus atos. (clonado em “Amigos da Sabedoria“).

Meu propósito, aqui, passa longe das tentativas de definições ou defesa de ideias tão amplamente debatidas por gente do quilate de Sartre e Kierkegaard.

Fiz questão de abordar o tema porque tenho percebido, como consequência de já haver dobrado para dentro da sétima década dos meus anos vividos, viver a constatar fenômenos próprios das mudanças de gerações. Cada nova geração, ao invés de partir do ponto até onde a sua geração anterior chegou, e falo em termos do conhecimento, inexplicavelmente retorna a tempos remotos e só faz trazer de volta discussões já discutidas e problemas há muito resolvidos.

Esse fenômeno aos ouvidos cansados de gente cheia de dores e poucos cabelos, aliás como é meu caso, torna-se irritante, na maioria das vezes. Mas o pior não é isso, incomoda muito mais ver gente da minha idade, a meu ver, ultrapassados no tempo e no saber, defendendo ideias retrógradas e superadas há séculos, como é o caso de trazer de volta as ideias de defuntos como Marx, Angels, Lenin, Ricardo e Smith.

Nosso mundo atual está modulando em frequências altíssimas, muito além das antiquíssimas e descabidas  pressuposições dessa gente. Eles atrapalharam humanidade o suficiente, creio. Mas é na área das ciências humanas onde tento colocar meu foco principal.

Evidentemente, apregoo um viver existencial. Kierkegaard me encanta, sobretudo, com seu Conceito de Angústia. Mas não pretendo trazer de volta suas experiências ou propostas do século XVIII. O cara foi um gênio, talvez um entre os cinco maiores de toda a raça humana, e só viveu trinta e seis anos. Mas não há sentido em tentar viver segundo suas propostas. Sem dúvida, ele deve ser um dos nossos pontos de partida.

Sartre viveu no século XX e tratou de criticar o existencialismo à moda cristã, sobretudo as ideias de Kierkegaard. Mas havia nisso outros motivos. Os cristãos criticavam os existencialistas por sua postura inerte, imobilizada e um tanto acomodada. Então Sartre, e os outros, trataram de defender-se.

Em nossos dias, parece haver novos alvos anticristãos para nos divertirmos através de nossas críticas. O principal argumento dos ateus, inclusive de alguns ditos cristãos, mas no viés bolivariano da coisa, diz respeito, pasmem, à falta de ativismo humanista por parte da igreja cristã. Nossos irmãos igrejeiros, merecem parte dessas acusações, sem dúvida. Mas não deixa de ser paradoxal. No entanto, os ateus assim agem para cravar a fama de serem eles os grandes baluartes da benemerência, enquanto os cristãos só pensam em prosperidade.

Uma parte significativa da militância cristã, um tanto simpática às ideias de Marx, um ateu confesso, sem dúvida um fenômeno paradoxal, no mínimo, resolve ir à luta, para horror dos mais existencialistas, feito eu, criando bobagens como suas missões integrais, de centeio ou vários grãos. Não adiantou nada o Mestre dizer: “nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra de Deus”. Percebam como o argumento do demônio é igualzinho ao dos humanistas, ateus ou cristãos (Ele havia provocado o Mestre para transformar pedras em pães).

Mas isso só acontece porque as novas gerações desprezam o saber dos seus antepassados recentes. Não os vejo como diabos, pelo menos não ainda. São, apenas, aprendizes de diabos, se muito. Por outro lado, mal não há em alimentar os famintos, vestir os pelados e abrigar os desabrigados, é claro. Só não digam ser isso alguma forma de cristianismo, cuja proposta principal é nos levar ao Reino de Deus, novamente, de onde nunca deveríamos ter saído. O Reino de Deus não se alcança com benemerência, mas com oração (inclui a meditação), jejum e contribuição pós redenção ao Senhor Jesus Cristo. A benemerência é pontual, paliativa e humana. O Cristianismo é eterno, embora a maior parte das igrejas e cristãos de hoje tenham perdido essas referências.

Com isso, acaba parecendo ser correto viver uma espécie de humanismo existencial, sem Deus, sem igreja, sem família, sem gênero, mas devidamente orquestrado por algum poder central, hierárquico e diabólico.

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2 thoughts on “Humanismo existencial

    1. Fábio
      Você está certíssimo como sempre. Não devemos usar “dígito” quando pretendemos dizer decênio. Estou no sexto, nesse caso. Correto? Preciso prestar mais atenção, sem dúvida. 8| Obrigado por corrigir, isso é bom.

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