A Gruta do Lou

Ócio Produtivo X Trabalho improdutivo

Terça-feira, Janeiro 10, 2006


Estava pensando no Domênico de Masi e o Ócio produtivo. Tem o outro lado aí: o trabalho improdutivo e/ou trabalho escravo.

Quando dava aulas em seminários, gostava de cutucar meus alunos com perguntinhas paradoxais. Uma delas era: Se Jesus nos redimiu do pecado Adâmico, por que temos que trabalhar com o suor dos nossos rostos, ainda?

Parece que o De Masi sabe a resposta.

Mas poucos questionam isso. E o futuro do trabalho? O emprego já entrou em crise faz tempo, as pessoas continuam agindo como se estivesse tudo bem e milhares de colocações no mercado de trabalho estivessem a espera do enorme contingente em preparação nos bancos escolares.

Todo mundo está louco para escravizar-se em algum emprego. Ou será impressão minha?

Estive no enterro de muitos trabalhadores. Nenhum levou nada do que ganhou nos empregos, para onde quer que tenham ido.

# posted by Lou @ 8:48 PM

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5 thoughts on “Ócio Produtivo X Trabalho improdutivo

  1. Pois é, para atender as exigências do mercado de trabalho, como bem observado, em decadência, carente de uma reestruturação, certos indivíduos levantam-se pela manhã a fim de fazer notar não mais que a sua preguiça. O mundo “moderno” mais parece um velho que repete insistentemente suas peripécias. Na minha singela compreensão do que é trabalho não entendo o por que da celebração que fazem ao ócio quando imputam ao trabalhador o cumprimento de horários sem a devida averiguação ao andamento do trabalho em si. Não acordo cedo, embora lamente, mas não deixo de cumprir minhas tarefas diárias ( com algumas raras exceções que não existe perfeição). Mas lhe pergunto, do alto de minha “pretensão”, como é que agente pode saber quem é que levou o quer que seja deste mundo para o além vida, ou como for? Hei de para sempre suspirar por respostas materialistas.
    Luiz, é um prazer inenarrável lê-lo, que a tua métrica é por demais instigante e charmosa, além do já supra-citado contendido. Não vá se chatear com meus ” brilhantes comentários”, nem com meus modos desleixados com a norma culta, ok?
    Pois bem, ainda em considerações aos seu textos, lá em baixo, em a pobreza da prosperidade agente observa que atualmente, quiçá em outros tempos, se coisifica a pessoa e se humaniza os objetos.
    Saudações fraternas,
    # posted by Lux Luxo : 1/12/2006 5:41 PM

  2. Tem uma outra abordagem que eu também gosto – e não sei se o Chritsopher Locke chegou a ler o De Masi.

    Ele fala do Amador vs. Profissional – onde o primeiro é o que verdeiramente ama o que faz, e o segundo é aquele ligado no fim em si mesmo – que no fundo é a paga pelo trabalho executado.

    Taí uma outra discussão, pra um outro dia …
    # posted by Volney Faustini : 1/14/2006 5:08 PM

  3. Eu trabalho por conta própria, não acordo muito cedo,como disse nosso amigo Lux Luxo, não tenho patrão,nem carteira assinada e essas bobagens todas… me dou ao luxo muitas vezes de um ócio que considero produtivo, (horas a fio relaxando,depois pensando e planejando calmamente o que fazer no dia de amanhã).Trabalho acaba saindo. Seria esse o ócio do qual o Domênico fala? Algo parecido,ou não tem nada a ver?

    O Ócio Produtivo do De Masi combina trabalho e lazer dispensando a estrutura fechada dos escritórios, etc. Mas o ideal e essencial, a meu ver, é ler o livro com o mesmo nome. O conceito é abrangente e vai bem alem disso.

  4. Ficar ociosa,está me dando muito trabalho…
    A gente pensa demais…às vezes cansa…

    O conceito ensinado pelo De Masi é mais amplo e vale a pena conhecer. Sei que a palavra ócio assusta, principalmente em meio ao pragmatismo vigente, para não dizer: em um meio onde não fazer nada é considerado pecado.

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