A Gruta do Lou

Família 21

Sábado, Janeiro 14, 2006


Em uma transportadora paulista, optou-se pela substituição de todos os motoristas homens por motoristas mulheres, pois elas não faltam ao serviço, não bebem em serviço, não freqüentam os locais estranhos existentes nas estradas, fazem o mesmo trabalho por um salário menor e os caminhões quebram muitos menos nas mãos delicadas delas.

Lá em Campestre MG, o dono de uma confecção resolveu trocar todas as costureiras experientes por meninos porque eles não engravidam, não faltam ao trabalho para ir ao médico, trabalham muito mais por um salário menor e não reclamam ao sindicato.

Ouvi dizer (daria um bom título para um disco) que em muitas tribos indígenas brasileiras a organização básica é: homens caçando para trazer alimento substancial e mulheres cuidando da educação dos filhos e da lavoura doméstica. Essa estrutura atenderia, antes de mais nada, aos anseios religiosos do Pagé (espécie de sacerdote indígena e guardião da cultura da tribo).

Há um dado secreto sobre a presença de homens casados, com mais de 35 anos, no mercado de trabalho. Ou seja, não é muito fácil saber como anda a situação deles. Existe a possibilidade de estarem tendo problemas para conseguir emprego, serem obrigados a trabalhar por salários menores ou até estarem desempregados. Alguns até, estariam trocando suas casas pelo balcão de algum bar, com vergonha de chegar lá de mãos vazias e enfrentar a desaprovação geral da família por sua vagabundagem. Claro que não acredito nisso. Não pode ser verdade.

Seria um absurdo alguém começar a pensar em desagregação da família a partir das necessidades do mercado. Os sacerdotes seriam os primeiros a contestar, já que eles são incansáveis na defesa da estrutura familiar sugerida na Bíblia. Segundo eles, o pai e marido no papel de provedor do lar e a mãe e esposa no papel de educadora e gerente do lar. Eles, jamais, aceitariam a possibilidade dos jovens ingressarem cedo demais no mercado de trabalho, em prejuízo de uma preparação mais consistente e, principalmente, causando a diminuição das chances de seus velhos pais no mesmo mercado, lá na frente. Jamais os pastores permaneceriam calados e omissos frente a essas possibilidades.

O feminismo já galgou conquistas irreversíveis e seria desgastante tentar reverter-lhas. Além do mais, poderia trazer de volta o preconceito dos homens em relação às mulheres. Não nem pensar.

Também, seria inconcebível imaginar famílias sendo gerenciadas pelos filhos (pois quem tem a grana é quem manda) insensíveis, capazes de chegar ao extremo de bater em seus pais, quando eles desobedecem suas determinações. Claro, pura besteira.

A família do século 21 segue firme e forte como a base da Igreja e da sociedade. Os pais e provedores estão recebendo salário justo por uma jornada justa de trabalho e as mães e educadoras estão felizes cumprindo a tarefa a elas destinada. Os filhos estão em preparação na escola para estarem prontos, quando chegar a hora de assumir responsabilidades por suas próprias famílias, o que só acontecerá quando terminarem a faculdade, o mestrado e o doutorado. Sem dúvida.

Bem, hora de parar e ir para o boteco. Os olhares, por aqui, indicam reprovação.
# posted by Lou @ 11:56 AM

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7 thoughts on “Família 21

  1. (No Boteco)…
    -Traz mais uma cerveja aqui pá nóis , por gentileza!
    -Pois então, Luiz Henrique! – diz um de seus leitores- aquele texto seu está completo no que diz respeito ao que vive a família no século XXI, algo que pode ter começado na última década. Preterem a família como uma referência à educação da pessoa, mas, ao mesmo tempo, querem despedaçá-la quando o assunto é mercado de trabalho. É coisa que tende a não dar certo. A família nos moldes bíblicos não podem ser mais forçadas…
    # posted by Thiago Quintella : 1/14/2006 1:50 PM

  2. Se tivermos 6 bilhões de indivíduos, teremos 6 bilhões de consumidores, mas, se eles se tornarem em 1 bilhão de famílias, teremos 5 bilhões a menos de consumidores. Essa lógica materialista interessaria a todos os grupos totalitaristas. De direita ou de esquerda. O mundo de hoje seria campo ideal para João Batista, aquele que pregava no deserto e se alimentava de mel silvestre.
    # posted by Luiz Henrique Mello : 1/14/2006 7:43 PM

  3. Realmente o conceito de família está deturpado demais… agente vive na política do descartável… onde tudo pode ser jogado fora, relacionamentos, filhos, decisões, vidas.
    E o grande lance disso aí é que cada vez mais agente vai achando que é normal, problemasso!
    A instituição família perdeu totalmente o significado igreja, não existe mais comunhão entre os pais com os filhos, comunicação, convivência. São coisas que estão se perdendo, todo mundo sentado em volta da mesa para o jantar, essas coisas de família. e outra coisa que vai se perdendo nisso é o significado de ser, homem ou mulher, daí a proliferação do homossexualismo como se fosse a coisa mais normal do mundo…
    # posted by Camila : 1/14/2006 9:48 PM

  4. Há uma coincidência interessante: As grandes intervenções de Deus ocorreram em épocas onde os valores fundamentais estavam ameaçados.
    # posted by Luiz Henrique Mello : 1/14/2006 11:49 PM

  5. Pois é e cada dia que passa está mais próxima a última intervenção que Deus fará, essa vai ser definitiva, é a nossa esperança mas é triste saber que tudo o que é tão precioso está se perdendo, as instituições estão falindo e isso é um muro, nossos projetos pessoais estão nas pontas, se o meio cair o que será que vai acontecer com as pontas?
    # posted by Camila : 1/17/2006 2:45 PM

  6. Realmente a família tem sido desestruturada,desagregada e desprezada. Os valores tem sido preteridos. Nem precisamos ir muito longe.Quantas vezes nós mesmos deixamos coisas que sabemos importantes,de lado.As coisas estão cada dia piores a esse respeito.No horizonte enxergamos nuvens negras…
    O jeito é ir pro boteco tomar umas cervas,ou tomar em casa aquele vinhozinho que estava guardado pra alguma festividade.

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