A Gruta do Lou

Quando a liberdade está ameaçada

Assista esse vídeo com o desabafo do Pastor Daniel Sampaio e depois leia meu texto.

Pelo jeito, chegou a hora de nos indignar contra o projeto do governo atual que, entre outras coisas, visa transformar ou criar uma nova moralidade no Brasil, além de transformar a precária democracia existente em uma ditadura, não se sabe ainda se de esquerda ou satânica, através das instituições governamentais existentes, como o Congresso Nacional, o Superior Tribunal Federal, a Procuradoria Geral da União e todos os outros que estiverem sob o controle dessa camarilha que agora ocupa o governo.

Não havia nenhuma razão para tanto. A Constituição em seu Capitulo Primeiro, artigo 5º deixa bem claro que:

“Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a individualidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.”

Ou seja, sem exceções. Ninguém, grupo nenhum ou segmento algum, necessita de leis protetoras, posto que a todos é dado direito igual pela Constituição.

Flagrantemente, o atual governo busca consolidar-se buscando apoio para seus propósitos políticos ditatoriais anexando os segmentos através de instrumentos de exceção, como o Bolsa Família (e todas as outras bolsas disponíveis, ao invés de ações eficazes para a melhoria do nível de vida de todos os brasileiros, em especial dos mais necessitados), a cota nas universidades destinada aos afro-descendentes (ao invés de garantir-lhe igualdade de tratamento em todas as fases da educação, como determina a Constituição) e, recentemente, com o ato do Supremo Tribunal Federal homologando o casamento entre homosexuais, que na prática já tinha respaldo na constituição, pois não há nada que os impeça de viver juntos, se desejarem, podendo, inclusive, celebrar contrato em qualquer cartório especificando as cláusulas desejadas.

Mas criar o fato, com grande repercussão na mídia era o desejado, afim de fazer propaganda em favor do governo, que busca todo o apoio possível com vistas a algum tipo de cartada final. Não será surpresa se uma nova constituição for o alvo, que lhes seja totalmente favorável, claro, em detrimento de todas as outras instituições da sociedade, como a família, a igreja, a mídia e a escola.

Tais atos ganharam, há algum tempo o apoio de uma parte essencial da igreja. Eles já contavam com considerável parcela da Igreja Católica, especialmente da ala contrária ao atual Papa e conseguiram o apoio de expressiva parcela da chamada igreja evangélica ao conquistar o apoio da Igreja Universal do Reino de Deus, na base de acordos altamente vantajosos que inclui sustentação maciça à rede de TV dessa seita, fora o apoio gratuito da esquerda festiva de parte da burguesia protestante. Grande parte da mídia tem contribuído para tanto, graças à disposição dos meios de comunicação em ajudá-los em troca de favores financeiros. Salvo enganos.

Se você faz parte de uma dessas igrejas, a hora de pensar seriamente em deixá-las chegou, sobretudo, de cessar o ato de contribuir em dinheiro ou bens em favor delas. Afinal, elas não precisam mais de sua grana, posto que estão sendo amplamente abençoadas com as benesses do governo atual, se não me engano.

Na minha juventude lutei com risco de minha vida contra a ditadura militar, embora jamais tenha me contentado com o resultado, pois esperava ver meu país livre e verdadeiramente democrático, coisa que nunca chegou a acontecer plenamente, durante minha vida, mas não contava com uma virada como a que está em curso e que nos afastará de novo e completamente, de nossos ideais primários.

Nesse momento, cabe à banda não contaminada da Igreja e das outras instituições levantar-se e indignar-se, se preciso for, ir à luta contra essa ameaça real e altamente ameaçadora às nossas liberdades tão duramente conquistadas. Ao contrário do irmão do vídeo em epígrafe, sou sim adepto de ações de desobediência civil, se preciso for.

Bom que se diga, entre as liberdades ameaçadas (e quase todas estão) está a liberdade religiosa, garantida no mesmo artigo citado, em seu inciso IV. Mas no bojo da tal lei anti homofobia, há sérios comprometimentos à liberdade religiosa. Essa (a liberdade religiosa) foi outra luta a qual dediquei parte de minha vida em países onde havia restrições.

Todos, sem exceção, repito, seja qual for a orientação sexual, cor, naturalidade ou crença estão garantidos em termos de igualdade (seja para casar, estudar, e todas as necessidades humanas) pela nossa Constituição. Basta que os poderes constituídos a cumpram, particularmente o executivo e o judiciário, pois essa é a obrigação constitucional deles.

Fora isso, invocarmos o poder maior, ou seja, o nosso Deus o guardião maior das liberdades do povo. Como disse o Criador a Abraão, “se houver um justo na cidade, eu não a destruirei”. Então, você e eu já somos a razão para Deus manter a paz e verdadeira prosperidade com liberdade dessa nação.

4 thoughts on “Quando a liberdade está ameaçada

  1. Roger
    O problema é que “as leis” têm sido instrumentos muito eficazes na manipulação de pessoas. Acho importante combater usando as contradições e falácias dos que vivem pela lei. Evidentemente, como cristão assumido, embora sem vínculo com qualquer igreja ou lei eclesiástica, sou mais uma boa graça. Mas nessa, nem Jesus logrou êxito e foi morto segundo a lei dos homens. Imagine nós…

  2. A partir de agora, em tese, casais gays passarão a ter direitos previdenciários e poderão partilhar bens e herança, assim como fazer declaração conjunta de Imposto de Renda e adotar filhos. O que não acontecia antes.Os casais gays viviam anos sob o mesmo teto,construiam um patrimônio juntos,e na hora que um deles”batia as botas”…geralmente a família( na maioria dos casos,contra a união),entrava na justiça para herdar os bens…deixando o parceiro à ver navios.
    Agora,querer passar por um crivo religioso,direitos civis,nunca chegaremos a um denominador comum.

  3. Raquel
    Esse é o nó a ser desatado. Para isso é necessário calma, gerar ou desenvolver uma lei mais abrangente, justa e eficaz. O tema é multidisciplinar, representantes da sociedade, das principais correntes e segmentos precisariam ser ouvidos, ou até formar uma comissão legislativa para compor uma proposta melhor. A Igreja não poderá impor sua vontade ou crença à sociedade, mas a sociedade também não poderá fingir que a Igreja não existe e tem relevância quanto ao que pensa o povo. Um denominador comum precisa ouvir a todos, sob o risco de não ser comum, mas unilateral. Como de fato foi,
    Sem a lei ilegal do STF as uniões homoafetivas já dispunham do direito de celebrar contratos regulatórios e dispor o que fazer com os bens em caso de morte, etc. Faltava acertar a questão previdenciária e regular as adoções pelos casais homosexuais, que já acontecem há anos, mais ainda não possuem uma lei específica. De qualquer modo, tudo isso precisa ser conduzido pelos caminhos normais, sem pressa e com muito zelo, se não me engano, sob o risco de vir a ser só um remendo que nunca virá a ser um soneto. O primeiro juiz católico ou maçom que julgar uma causa com base nessa lei aprovada pelo STF alegará a inconstitucionalidade dela, com base no artigo 5º do Cap I da Constituição e criará a jurisprudência necessária para invalidar todos os casos que vierem a seguir. Salvo engano.
    Precisamos pensar muito melhor em tudo isso. Certo?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *