Anatomia de um golpe

DF – DILMA/MUNICÍPIOS/INVESTIMENTO – POLÍTICA – A presidente Dilma Rousseff, acompanhada de seu vice, Michel Temer, descendo a rampa

Então, nunca votei no Temer, nem nos tempos em que ainda votava. Meu último voto foi pela volta da monarquia, salvo engano. Minha impressão dele é a de um cara engajado na política há tanto tempo, que já perdeu de vista como era a vida normal dos outros brasileiros.

Não tenho, portanto, nenhuma razão e muito menos vontade de defendê-lo em momento nenhum. Estou escrevendo essa nota, por uma única razão, ou seja, não gosto de tirar proveito próprio das situações em que outros estejam metidos.Negócio é o seguinte, Temer foi eleito vice-presidente na chapa onde Dilma figurou como candidata à reeleição a presidente.

A chapa venceu e ela tomou posse para seu segundo mandato. Após um mandato e meio concluídos, todos nós (inclusive petistas) já sabíamos o óbvio, ela não tinha as capacidades necessárias para presidir nada, menos ainda um país com as proporções e complicações do nosso.

Português: Os presidentes da Câmara, Michel Te...
Português: Os presidentes da Câmara, Michel Temer, do Senado, José Sarney, e a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, durante sessão solene do Congresso em homenagem ao Dia Internacional da Mulher (Photo credit: Wikipedia)

Então, ela foi impedida (impeachment) através de julgamento, conforme reza a nossa “magnífica” constituição. Os favoráveis a ela (pasme, havia e ainda há muitos imbecis nessa preferência inexplicável) iniciaram campanha contra o que chamaram de golpe, embora a interrupção de um governo ruim esteja previsto na lei.

Como todo mundo está careca de saber, Temer (então vice-presidente) foi empossado, conforme determina a mesma “constituição”, presidente da República (sic) Federativa do Brasil.

Português do Brasil: Michel Temer durante a co...
Português do Brasil: Michel Temer durante a convenção nacional do PMDB onde foi formalizado como vice na chapa encabeçada por Dilma Rousseff (PT) à Presidência da República. (Photo credit: Wikipedia)

Suspeito, cá com meus botões, dele ter imaginado montar um governo capaz de agradar maranhenses, alagoanos e baianos (baianos, nesse caso, seriam os nascidos na Bahia e o resto dos nascido no mesmo país deles, como definem os paulistas). Concluí assim, ao analisar detidamente o ministério escolhido por ele.

Quando digo agradar, estou querendo dizer: proteger seus pares ameaçados pela inconveniente (na opinião deles) operação Lava Jato, brindando-os com cargos ministeriais.

Em um ano, conforme esses “amigos” foram alterando seu status de “ameaçados” para “processados”, foram sendo substituídos e, salvo engano, não ficaram contentes com isso, nem um pouquinho. Acho que preferiam ser mantidos em seus cargos, não só pela grana envolvida no cargo, mas também pelo famoso Foro Privilegiado proporcionado pelo cargo.

Então, nessa ocasião, teríamos os seguintes grupos de descontentes com a performance: A maioria do povo brasileiro, A Rede Globo de Televisão e suas filhotinhas, o titular da PGR, petistas perdedores do governo, políticos perdedores de ministérios e todos os outros políticos sem cargo nenhum (começando por FHC) inclusive deputados federais e senadores, que apesar de seus cargos, nunca estão contentes.

Essa turma de alguma forma, uniu-se. Hoje em dia, não existem só as turmas da rua. Com as Redes Sociais, há milhares de outras modalidades de “Turma”. Enfim, essa turma recém unida resolveu fazer com o Temer o que ele não fez com a Dilma (embora desejasse, claro), dar um golpe pra cima dele.

Como não havia um fato ideal, criariam um.

1) Alguém teve a ideia de convocar os irmãos Joesley e Wesley Batista, controladores (donos) da JBS e alguns funcionários indicados por eles para executar a primeira parte do plano. Joesley, o mais fanfarrão dos dois irmãos, foi escalado para encontrar o Temer munido de aparelho escondido para gravação, desses encontrados facilmente ali na 25 de março, com o objetivo de arrancar dele declarações capazes de convencer o povo que estava na hora dele chispar da presidência, também, tar e quar a Dilma.

2) Filmar um dos lacaios do Temer recebendo e encaminhando uma mala de dinheiro. Isso teria sido assim: Na tal encontro com gravação sigilosa de Joesley e Temer, que pouco gravou, o dono da JBS mencionou um compromisso dele com o Eduardo Cunha. 

Temer anuiu (sim, mantenha isso). Intuí, pelo que pude escutar na gravação (a minha cópia tem muita interferência) que Joesley havia solicitado a Temer um emissário para enviar algo ao Cunha. Temer teria sugerido o deputado Rodrigo Loures, em quem confiava, mais nada.

O que poucos perceberam, depois do tal “encontro” ter sido vazado via Rede Globo (e depois as outras), somado ao vídeo de uma “Delação Premiada” inusitada do Joesley à PGR gravada no dia 7 de abril de 2017. Acontece que o Joesley só estava sendo “investigado” até então e as delações só acontecem quando a réu já foi julgado e aguarda sentença. A delação, se aceita, pelo magistrado, poderá reduzir pena.

Por um desses casuais acasos do nosso governo, dessa vez do judiciário, via Ministro encarregado (após a morte estranha do anterior), o vídeo da delação foi liberado para a mídia, no mesmo dia em que os irmãos Batistas resolveram comprar uma montanha de dólares e negociar as ações de suas empresas, calculando que a revelação o áudio do encontro (ainda sendo periciado, no momento) + vídeo do Loures puxando uma mala com rodinhas + vídeo da delação faria com que suas ações cairiam na bolsa e o dólar subiria aos píncaros.

Outro detalhe importante, caso confirmado, seria o fato da Lava Jato estar na beira de prender os irmãos Batistas e, participar de toda essa farsa, passou a ser de grande interesse deles. Eles não foram presos pela Lava Jato, ganharam foro junto ao STF (onde todos os políticos preferem ser “julgados”) e a turma a fins da cabeça do Temer que não veem a hora de sacá-lo do cargo. Nesse caso, a ajuda teria vindo do titular da PGR, que agora pretende conseguir a revisão da sentença de absolvição dada pelo STE para chapa Dilma e Temer, pela acusação de indevido de verbas de campanha, junto ao Congresso Nacional, que tem essa prerrogativa.

Ah! Como seria bom se fôssemos uma monarquia. O Rei (ou Rainha) destituiria a Dilma em poucos minutos e convocado novas eleições no prazo máximo de um mês. Particularmente, meu sonho de governo é não haver governo, bastaria-nos Deus. Mas estamos várias galáxias de chegarmos a algo assim.

Esse texto é só um resumo, cujo objetivo é ajudar as pessoas a pensar um pouquinho mais e certas sutilezas nada sutis.

Beijo na careca

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