A Gruta do Lou

O Golpe

 

 

John Bunyan
Parábola inicial

Quando casei, tínhamos (a família paterna, pai, mãe, irmão e cunhada) uma casa em um bairro nobre da cidade, em terreno de 600 m², considerado de bom tamanho. Na verdade, havia duas casas ali, uma maior no centro do terreno e outra menor, ocupando um espaço ao lado, na parte de trás. Hoje, a propriedade valeria mais de cinco milhões de reais (ou um milhão de trezentos mil dólares). Quando essa casa foi comprada, de entrada foi dado um apartamento que tínhamos em um bom bairro mais um pequeno valor necessário para conseguir o financiamento na Caixa, do restante.
Minha mãe morava lá sozinha, na casa maior, então fomos morar lá, na casinha. Pouco mais de um ano depois, nossa filha nasceu e resolvemos, de comum acordo, trocar de casa com minha mãe. Pessoal de nossa igreja veio nos ajudar a colocar papel de parede e preparar o quarto novo do bebe. Ficou bem legal.
Pouco tempo depois, meu irmão vendeu a casa e eu não evitei. Minha mãe pediu para não intervir no negócio, segundo ela, preferia que não houvesse desavenças na família. Meu pai veio de Ponta Grossa onde ele morava e já tinha outra família e foi ao departamento jurídico da Caixa Econômica Federal assinar um documento, passando a titularidade da parte dele na casa para meu irmão, e assim, os três mais minha cunhada assinaram o contrato e escritura de venda do imóvel. Uma parte do valor foi enviada para meu pai, mesmo tendo doado parte dele para meu irmão, outra parte ficou com minha mãe e a parte maior ficou com meu irmão e minha cunhada, e nunca entendi esse detalhe.
A nós, não restou outra coisa a fazer, se não, desocupar o imóvel. Para tanto, foi preciso o pastor de nossa igreja solicitar a um dos membros que fosse nosso fiador no aluguel de um apartamento pequeno.
Essas informações só chegaram a mim, muito tempos depois. Foi um conluio entre meus pais, meu irmão e minha cunhada. Eles não tiveram nenhum pudor em me trair pelas costas e nos colocar no olho da rua.

Essa foi mais uma das grandes perdas que sofri na vida, embora fosse só um objeto, a decepção e desapontamento com as pessoas que deveriam nos amar, mas preferiram nos apunhalar por causa dessa coisa.

Atualmente meu irmão não temos qualquer contato e nem sei que cara têm meus sobrinhos. Meu pai faleceu em 1998 e minha mãe está em um Asilo sob minha responsabilidade e a obrigação de manter as despesas dela lá. Ela não lembra mais de mim, muito menos de minha família.

O drama

Hoje o povo brasileiro sofreu um dos maiores golpes de sua história. A presidente, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal, em conluio, deram esse golpe no povo.

Subverteram a Constituição, que já não era lá muito respeitada e dividiram o governo entre eles, provavelmente, de olho nos valores nacionais. Imagino que pretendam dividir essas riquezas, enquanto o povo seguirá trabalhando para sustenta-los, com pouquíssimas regalias.

Logo veremos as prateleiras do supermercado vazias, os reservatórios de água abaixo do tal volume morto, luz e combustíveis racionados, as liberdades (imprensa, religiosa, de ir e vir, marco civil na internet, etc.) enfim, tudo que acontece quando as liberdades se extinguem nas mãos dos corruptos, dos despontas e dos egoístas tiranos.
O que machuca nem é a coisa que eles estão apropriando, mas a decepção e o desapontamento somado à traição pelas pessoas que tinham o dever e a honra de cuidar das instituições nacionais para que o povo tivesse paz e prosperidade. Preferiram eles em detrimento de nós.
Muito provavelmente, daqui alguns anos, muitos deles e eu estaremos mortos, enquanto nossos filhos e netos, além de ter que se virar para consertar o estrago que esses monstros lhes fizeram e nós não fomos capazes de fazer nada para impedi-los, ainda terão de conviver com alguns deles e sustentar alguns outros em suas velhices. Eles nem lembrarão o que nos fizeram, nem quem fomos.

O apocalipse

Nos tempos em que a Inglaterra era a maior potência do planeta em termos de poderio bélico, havia lá uma rainha que mandava de verdade e não a figura decorativa que existe ali, em nossos dias.

Havia também, no reino unido um senhor chamado John Bunyan, um cristão simples conhecido como o homem que orava. Certa vez, a tal rainha teria dito: Não há neste mundo nada nem ninguém que eu tema, exceto o senhor John Bunyan e suas orações. O Dr. Russell P. Shedd, meu professor de Novo Testamento no Seminário, se orgulhava de ter ficado por cinco segundos com o chapéu do Bunyan na cabeça, durante a cerimônia de sua formatura.

Não posso fazer nada por meu país, nem o que cheguei a fazer no final da década de sessenta, século passado, enfrentando as forças do governo ditatorial nas ruas e praças.

Agora só me resta a capacidade e fé para orar a Deus por um governo justo, ao menos. Mesmo que eu não tenha visto nenhum governo assim em meus dias, pelo menos, que venha um nos dias de meus filhos e netos, independente de alguém lembrar que orei por isso. Talvez alguém me reconheça como um homem que orava, mas isso não será imprescindível.

Esse será o meu golpe, orar por um governo justo e eficaz e quem desejar fazê-lo, também, fique à vontade. É grátis e sem captação de recursos. No máximo, um jejum aqui, ali e a Deus toda a glória.

lousign

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